Análise a Jorge Jesus

13/01/2013 15:05

 

Os grandes estrategas dos triunfos são os treinadores. Jorge Jesus vai disputar o seu quarto jogo e é de referir que, durante o reinado de JJ, quem venceu o clássico na Luz foi campeão. Dizer que não são estes jogos que determinam o campeão é um lugar comum, mas o capital de confiança que estas partidas dão é inquestionável. Apesar de ser prematuro, podemos afirmar que da forma como a liga está a decorrer, com os dois rivais a perderem pouquíssimos pontos, é bem provável que estes jogos sejam mesmo decisivos.

O “Mestre da Táctica”, como se auto-intitula, chegou ao Benfica 2009 e logo deu ao clube uma nova projecção. Em termos desportivos, um campeonato e três taças da liga, em termos financeiros um superavit de muitos milhões de euros e não foi só pelos jogadores que valorizou, mas também pelas constantes entradas na Liga dos Campeões. No que toca ao espectáculo uma acentuada melhoria fazendo lembrar décadas anteriores à de noventa. Como personalidade as opiniões dividem-se, Jorge Jesus ainda mantém o mesmo estilo que trazia de clubes anteriores, demonstrando ser coerente, mas pouco dado a adaptações. JJ ainda não percebeu que o Benfica é diferente do Braga, do Belenenses, do Leiria, etc., etc. Continua com o mesmo discurso de se auto-vangloriar, de se pôr em bicos-de-pés para chamar a si os louros como se não existisse mais ninguém, secando todos aqueles que o rodeiam e até alguns que estejam longe. Se nas equipas anteriores até se podia compreender, muitas vezes não lhe deram o mérito que merecia, já no Benfica isso não acontece, já que a maioria dos adeptos lhe confere competência. Competência essa que é justa e devida a um treinador ofensivo, que utiliza o 4x4x2 como sistema e pressiona o adversário no seu próprio meio campo. Outra das características é a rápida aceleração do jogo, utilizando preferencialmente as faixas, zona onde no 1x1 cria muitos desequilíbrios. Em função destes aceleramentos as transições defesa-ataque costumam ser fracturantes e produtivas. As bolas paradas são outro dos momentos do jogo em que as suas equipas são fortes (40% dos golos na liga esta época), em especial as reposições de linha lateral onde já obteve quatro golos, tanto como em livres e cantos juntos. Defensivamente a defesa em linha tem bom posicionamento e a pressão efectuada no meio campo adversário costuma surtir efeito. Problemas sente nas transições defesa-ataque, onde na maioria das vezes a equipa é apanhada em contrapé. Normalmente o Benfica arrisca muito nas linhas de passe quando tem posse de bola, que normalmente são dadas à frente da linha de bola. Quando esta é perdida há uma descompensação grande e quando os passes saem rápido, normalmente acontece com as equipas grandes devido valor ao individual dos seus jogadores, surgem oportunidades claras de golo.

Hoje terá um teste de fogo mas partirá como favorito. A quantidade de opções ofensivas para os mais diversos cenários é uma mais-valia. O Benfica tem um plantel mais rico, com mais soluções. Mérito de Jorge Jesus que conseguiu resolver os iminentes problemas de meio campo, adaptando Enzo Perez e lançando André Gomes e André Almeida. Essa vantagem também tem a ver com a ausência de James, que é muito mais do que a simples falta de um jogador de qualidade. É a perda do municiador da última fase de construção, é a partir dele que o perigo para os adversários começa a fazer sentido. Os portistas podem continuar a jogar da mesma forma, mas não conseguirão servir o ataque de igual modo. Neste reencontro contra o seu calcanhar de Aquiles, em 11 jogos disputados com o FC Porto, desde que chegou ao Benfica, venceu quatro, empatou um e perdeu seis. Se nos referirmos apenas à liga, venceu o primeiro jogo a Jesualdo Ferreira, o mestre do 4x3x3 segundo JJ, e depois empatou um e perdeu quatro, sendo que três dessas derrotas foram com os aprendizes do dito sistema, Villas-Boas e Vitor Pereira. Essas derrotas foram contra uma equipa que utilizou sempre o mesmo sistema de jogo, o 4x3x3, que Jorge Jesus definiu como o indicado para equipas pequenas, deveria estar a referir-se provavelmente ao Barcelona, Real Madrid ou Bayern, equipas de segundo plano que utilizam esse sistema e constantemente surpreendem os grandes. Conseguirá hoje a quinta vitória, a segunda para a liga?