Análise a Vitor Pereira
13/01/2013 15:04
Vitor Pereira, ao contrário do seu opositor, ainda é um treinador pouco experiente na principal liga portuguesa. Essa inexperiência tem vindo a ser limada e hoje, apesar de já conseguir estar mais à vontade, ainda demonstra algum nervosismo na forma como lida com a imprensa.
Tacticamente Vitor Pereira é um estudioso e um estratega que se prepara muito bem para os grandes jogos. Exemplos são a supertaça europeia com o Barcelona e o clássico com o Benfica do ano passado. Tanto com os espanhóis como com os lisboetas, apesar de os resultados serem díspares, mostraram uma grande preparação conseguindo anular duas equipas diferentes mas muito fortes ofensivamente. É um técnico ofensivo que manteve o sistema de jogo existente no clube antes da sua chegada, mas que o foi alterando moldando-o à sua imagem. Hoje o FC Porto não procura os flancos como um 4x3x3 pressupõe, preferindo terrenos mais interiores com passes de ruptura para o centro da área. Os flancos são procurados pelos laterais, derivando os alas para o centro do terreno. Com esta aglomeração de jogadores em zonas mais centrais, consegue desequilíbrios abrindo brechas nas defesas adversárias. Quando estas fecham a área de rigor surgem os remates de meia distância de onde os portistas já alcançaram oito golos, sendo a equipa mais forte da liga neste parâmetro com 30% dos seus golos obtidos desta forma. Defensivamente marca à zona recuando Fernando para muito próximo centrais. Os médios interiores fazem as compensações e os desequilíbrios defensivos. No entanto Vitor Pereira ainda tem muito para conquistar, principalmente dentro de portas. Apesar do título do ano anterior lhe ter dado confiança interna e competência externa, ainda existem muitas dúvidas no ar. Os adeptos ainda o olham de esguelha. Já mostrou ser competente, mas ainda não demonstrou ser um líder. As dificuldades que tem em aplicar as suas directrizes nos jogos teoricamente mais acessíveis ainda são uma realidade, a equipa raramente faz jogos por inteiro, tem períodos em que resolve e outros em que adormece. A mensagem só passa conforme o grau de importância da partida, o que denota que não é um motivador nato. Também na gestão dos media tem dificuldades, já teve de pedir desculpa a Jorge Jesus, agora com as declarações de que o Benfica está sempre melhor mas quem ganha é o FC Porto, criou uma dose extra de pressão sobre si mesmo e os jogadores, algo que não precisavam, até porque vão debilitados.
Para hoje tem dificuldades acrescidas, perdeu James a melhor referência de construção no último terço do terreno. Irá à Luz pressionante tentando não deixar respirar o Benfica, já o fez o ano passado, só que depois ir-lhe-ão faltar soluções ofensivas para resolver o jogo. É óbvio que quem tem Jackson Martinez pode fazer golos, até porque ele nem precisa de ser muito bem servido, mas é mais difícil, pelo menos até à entrada de Izmaylov. Também Maicon é uma falta importante, caso não jogue, porque além de ser melhor no jogo aéreo do que Mangala é muito menos faltoso, ocupa melhor os espaços e na pré-época até demonstrou saber marcar livres. Vamos ver o que o clássico ditará hoje?
