Benfica isola-se no comando, Paços de Ferreira mantém terceira posição
06/03/2013 14:10Campeão
Uma luta que conheceu alterações nesta jornada, onde o Benfica, pela primeira vez, isolou-se no comando. Os dois pontos são uma vantagem curta, mas que podem vir a ser determinantes. Se os encarnados chegarem ao Dragão com esta vantagem, permitirá aos benfiquistas encarar um empate nessa partida como se de uma vitória se tratasse, algo que não é líquido, pois Benfica e FC Porto têm sentido mais dificuldades nestes seis jogos da segunda volta, do que na primeira quase toda. Outro factor onde os encarnados têm vantagem é nos jogos em casa, onde ainda disputarão cinco partidas (Gil Vicente, Rio Ave, Sporting, Estoril e Moreirense), enquanto os portistas apenas têm quatro (Estoril, Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Benfica). Por exclusão de partes, os dragões irão cinco vezes fora (Marítimo, Académica, Moreirense, Nacional e Paços de Ferreira), em contrapartida as águias deslocar-se-ão apenas quatro vezes fora da Luz (Vitória de Guimarães, Olhanense, Marítimo e FC Porto). Um campeonato que ainda está longe de ser decidido, a permanência na Europa de ambos origina resultados negativos quando menos se espera, ma a verdade é que ambas as equipas só dependem de si, apesar de se poder vislumbrar, neste momento, uma ligeira vantagem benfiquista.
Play-off da Liga dos Campeões
Outra luta a dois, Paços de Ferreira e Sporting de Braga digladiam-se pelo terceiro lugar. Esta semana ambas as equipas venceram, com especial destaque para os bracarenses que o fizeram fora, em Olhão. Os sensacionais pacenses não desarmam, o calendário até final da época até parece teoricamente mais acessível, com cinco jogos na Mata Real (Beira-Mar, Gil Vicente, Rio Ave, Sporting e FC Porto) e quatro fora (Olhanense, Marítimo, Vitória de Guimarães e Académica).
Os arsenalistas receberão o Marítimo, o Sporting, a Académica e o Nacional, enquanto se deslocam cinco vezes fora (Gil Vicente, FC Porto, Estoril, Moreirense e Vitória de Setúbal). De referir que estas equipas já não se defrontam entre si e que, em caso de igualdade, a vantagem pertence ao Paços de Ferreira.
Liga Europa
A disputa pelo 5º lugar que dá acesso directo à Liga Europa está ao rubro. Cinco equipas estão, neste momento, com possibilidades de o alcançar. O Rio Ave, que ocupa neste momento essa posição, juntamente com o Marítimo, tem vindo a fraquejar em comparação com a 1ª volta. De qualquer forma tem um calendário que só lhe é desfavorável, porque em casa os vila-condenses têm desiludido, de outro modo os quatro jogos nos Arcos seriam todos com grau de dificuldade menor (Moreirense, Vitória de Setúbal, Beira-Mar e Gil Vicente). Fora de portas tem o Nacional, Benfica, Paços de Ferreira, Olhanense e Vitória de Guimarães, um trajecto difícil, mas onde o Rio Ave tem demonstrado maior competência. Está em desvantagem com o Marítimo, mas tem vantagem com o Estoril, dois dos competidores directos, os outros dois, Vitória de Guimarães e Nacional ainda ter-se-á de deslocar ao campo de ambos. Diria que o desfecho da próxima jornada, deslocação à Choupana, será determinante para as pretensões de ambas as equipas, em especial do Nacional que se encontra a três pontos.
Outro dos grandes candidatos a ocupar esta vaga é o Marítimo, a equipa que mais evoluiu no segundo terço do campeonato. Os madeirenses não têm uma campanha fácil, mas são a equipa animicamente mais forte neste momento. As deslocações a Braga, a Setúbal, à Choupana, a Aveiro e a Olhão são difíceis mas não menos que as recepções ao FC Porto, Paços de Ferreira, Benfica e Vitória de Guimarães. Um calendário extremamente difícil, que não lhe dará favoritismo, apesar do bom momento que atravessa, mas que poderá fazer da equipa, uma das mais relevantes na atribuição do título. Tem vantagem sobre o Rio Ave e desvantagem sobre o Estoril.
Ora é mesmo esta equipa, outra das sensações da prova, que ocupa a sétima posição, a um ponto de Marítimo e Rio Ave. Tem cinco deslocações com grau de dificuldade misto, duas com grau de dificuldade muito elevado, FC Porto e Benfica, e três onde tudo é literalmente possível, Moreirense, Vitória de Setúbal e Gil Vicente. Na Amoreira recebe a Académica, o Nacional, o Sporting de Braga e o Beira-Mar, confrontos acessíveis e passíveis de vitória. Em termos de calendário e de produção da equipa é o grande favorito ao 5º lugar. Tem vantagem sobre o Marítimo e desvantagem sobre o Rio Ave.
O Vitória de Guimarães é outra das equipas que poderá chegar à Europa, com uma pequena vantagem, tem duas vias ainda disponíveis, o campeonato e a Taça de Portugal. Na Liga os vimaranenses têm menos dois pontos que Rio Ave e Marítimo e menos um que o Estoril, diferenças mínimas de uma equipa que tem demonstrado que faz das fraquezas forças. Tem a vantagem de ter mais jogos em casa, cinco, do que fora, quatro. No D. Afonso Henriques receberá Benfica, Beira-Mar, Paços de Ferreira, Gil Vicente e Rio Ave, cinco equipas com objectivos distintos, excepto Beira-Mar e Gil Vicente, em que ambos lutam pela permanência. Fora de Guimarães deslocar-se-á ao Vitória de Setúbal, ao Nacional, ao Olhanense e ao Marítimo, das quatro deslocações, duas são contra equipas com os mesmos objectivos que os seus. A qualidade da equipa não permite considerá-la uma favorita à 5ª posição, o mesmo já não se poderá dizer do seu desempenho, uma incógnita este Vitória. Está em desvantagem com o Estoril.
O Nacional da Madeira fecha este grupo, encontra-se a três pontos dos líderes desta luta. Os homens de Manuel Machado têm encetado uma brilhante recuperação, passando da luta pela despromoção à luta pelos lugares europeus, algo que o treinador português já conseguiu no passado. Tem cinco jogos em casa, Rio Ave, Vitória de Guimarães, Marítimo, FC Porto e Académica, como se pode ver, três dos jogos caseiros são contra equipas que lutam pelos mesmos objectivos da equipa madeirense, resta saber se o factor casa tem relevância, se tiver o Nacional ganhará aqui uma vantagem que poderá ser decisiva. Fora da Choupana a equipa madeirense deslocar-se-á ao Beira-Mar, ao Estoril, ao Sporting e ao Sporting de Braga, um calendário, que não sendo acessível também não é impossível. O Nacional ainda está na luta.
Não estão incluídos nesta guerra Vitória de Setúbal e Sporting, duas equipas que têm a manutenção praticamente assegurada, mas que dificilmente chegarão à Europa. Os sadinos, apesar de estarem numa fase tranquila da época, não têm demonstrado valor para almejar algo mais que não seja a manutenção. O Sporting, por sua vez, teria de ter uma prestação semelhante a uma equipa que luta pelo título para alcançar a Europa. Apesar de vir moralizado de um empate caseiro com o FC Porto, a verdade é que durante o decorrer da época, os leões não demonstrado que poderão vencer seis ou sete jogos nos nove que faltam, algo necessário para conseguir este objectivo. Aliás os verde-e-brancos apenas conseguiram cinco vitórias em 21 partidas, o que demonstra o porquê da Europa ser uma miragem.
Descida de divisão
Cinco equipas lutam para fugir aos dois lugares que dão a despromoção. A equipa que neste momento está em vantagem é a Académica, com quatro pontos de vantagem sobre a linha de água. Os estudantes, apesar da vantagem, ainda não asseguraram esse objectivo, e não são a equipa com mais condições de o fazer a breve trecho. No Municipal de Coimbra recebem Sporting, FC Porto, Moreirense e Paços de Ferreira, enquanto fora se deslocam ao Estoril, ao Gil Vicente, ao Sporting de Braga, ao Vitória de Setúbal e ao Nacional. Um calendário complicado, especialmente em casa. Tem vantagem sobre o Beira-Mar e desvantagem sobre o Olhanense.
O Gil Vicente é mais uma das equipas que lutam para fugir à despromoção. Três pontos são a margem de erros que os homens de Barcelos neste momento têm. Tem cinco jogos fora, Benfica, Paços de Ferreira, Beira-Mar, Vitória de Guimarães e Rio Ave, partidas com grau de dificuldade elevado. Em casa recebe Sporting de Braga, Académica, Olhanense e Estoril, um calendário mais acessível que poderá dar acesso ao objectivo da manutenção. O Gil Vicente tem vantagem sobre o Moreirense.
Manuel Cajuda está metido em maus lençóis. Em oito partidas empatou três e perdeu cinco, algo que comprometeu, e de que maneira, o objectivo dos algarvios, a manutenção. Com um calendário onde recebe Paços de Ferreira, Benfica, Vitória de Guimarães, Rio Ave e Marítimo, tudo equipas com objectivos europeus, o Olhanense terá de tirar um coelho da cartola, semelhante ao que tirou no Dragão. Fora de portas jogará com o Moreirense, o Beira-Mar, o Gil Vicente e o Sporting, aqui terá hipóteses mais credíveis de pontuar, três dos quatro jogos são com equipas que lutam pela permanência, caberá aos algarvios retirarem a vantagem do factor casa. O Olhanense tem vantagem sobre a Académica.
Augusto Inácio devolveu ao Moreirense a possibilidade de estar agora a discutir a permanência, em cinco jogos o treinador português obteve oito pontos, tantos como Jorge Casquilha em 16 partidas. Uma chicotada psicológica que está a produzir frutos, mas que ainda não permitiu à equipa sair dos lugares de despromoção. Os minhotos receberão em casa o Olhanense, o Estoril, o FC Porto, o Sporting de Braga e o Vitória de Setúbal. Como visitantes irão ao Rio Ave, ao Sporting, à Académica e ao Benfica, jogos complicados onde a equipa terá de fazer alguns pontos, principalmente em Coimbra. O Moreirense tem vantagem sobre o Beira-Mar e desvantagem sobre o Gil Vicente. Apesar do calendário e da classificação creio que o Moreirense não descerá, os últimos indícios apontam nesse sentido.
Por fim o Beira-Mar, a equipa mudou de treinador, saiu Ulisses Morais em detrimento do debutante Costinha. No último jogo a equipa deu boas indicações, mas não pontuou. Ora pontos são aquilo que a equipa precisa para abandonar a última posição. Os aveirenses têm cinco jogos em casa, Nacional, Olhanense, Gil Vicente, Marítimo e Sporting, recebe dois dos adversários directos, uma vantagem que não poderá descurar. Fora terão de deslocar-se ao Paços de Ferreira, ao Vitória de Guimarães, ao Rio Ave e ao Estoril, jogos difíceis mas com probabilidade de pontuarem. Tem desvantagem sobre a Académica e o Moreirense. Se o factor casa funcionar, o Beira-Mar tem condições de se manter.
Pedro Santos Pereira
