Campeonato nacional - Década de 50 – A Era da liderança leonina

23-05-2013 11:53

Mais uma época de ouro para o Sporting, alcançou o tetracampeonato, um recorde que durou durante dezenas de anos e que se traduz em quatro vitórias consecutivas na liga. Com base nestas performances, no final dos anos 50 a equipa leonina já liderava o ranking de campeonatos nacionais ganhos, com 10 títulos contra os 9 do Benfica, uma superioridade que até aos dias de hoje foi única. Os leões voltaram a ganhar nesta década cinco títulos, tal como nos anos 40, sendo os outros cinco repartidos pelo Benfica, três troféus, e pelo FC Porto com dois. Os dragões conseguiam mesmo, em 1956, pôr fim ao primeiro grande jejum de campeonatos, que durava desde 1940. Por sua vez o Benfica, pela segunda década consecutiva, perdia terreno para o Sporting, sendo superado na conquista de troféus por parte dos leões. Quanto ao Belenenses voltou novamente a ser vice-campeão uma vez, em 1955, não conseguindo repetir o título dos anos 40. Nesse ano a equipa do Restelo terminou o campeonato igualado com os encarnados, sendo decidido de forma dramática nos instantes finais. O Belenenses tinha mais um ponto que o Benfica na última jornada e ambos recebiam Sporting e Atlético respectivamente. Os azuis do Restelo de Matateu dependiam exclusivamente de si próprios e ao intervalo venciam por 2-1, um resultado magro mas que lhes garantia o título. Só que o pior estava para vir, a quatro minutos do fim João Martins restabelece a igualdade. O silêncio caiu sobre as Salésias, pois o Benfica vencia por 3-0 o Atlético. Aliás, esta foi a década em que mais equipas terminaram com os mesmos pontos na liderança da prova, em dez possíveis aconteceram quatro. O FC Porto venceu dois ao Benfica nestas circunstâncias e perdeu um para o Sporting, além do anteriormente referido entre Benfica e Belenenses.

No que respeita a treinadores existiram duas fases distintas. Uma primeira com domínio inglês, com Ted Smith e Randolph Galloway, o primeiro treinador a vencer por três vezes consecutivas o título, e uma segunda, na última metade da década, com supremacia brasileira. Nesta última fase destaca-se o aparecimento de Otto Glória, um dos treinadores com mais troféus conquistados orientando equipas portuguesas. Além dos dois campeonatos conquistados nesta década, o brasileiro ainda ficou em segundo por duas ocasiões.

No que concerne aos goleadores a década de 50 trouxe à ribalta José Águas. Após o domínio na lista de melhores marcadores de Peyroteo, que entretanto tinha abandonado o futebol, o português do Benfica assumiu o protagonismo deixado pelo sportinguista. Durante estes dez anos Águas venceu por quatro vezes o troféu, não com tão elevado número de golos como o seu antecessor, mas com uma frequência semelhante. Destaque também para outro violino, Vasques, que conseguiu vencer uma Bola de Prata. Outro sublinhado para uma das maiores referências do Belenenses e do futebol nacional, Matateu, que obteve a melhor marca da década em 1955 com 32 golos, ele que já tinha ganho em 1953. Os outros vencedores foram Julinho do Benfica, João Martins do Sporting e Arsénio Duarte da CUF. 

Pedro Santos Pereira