Efeitos das “chicotadas psicológicas”
17/04/2013 17:57Seis clubes já mudaram de treinador na presente época, Académica, Beira-Mar, Moreirense, Nacional e Olhanense por uma vez, e Sporting por duas vezes mais um treinador de transição, Oceano. O primeiro clube a usar desta medida para tentar inverter os maus resultados foi, precisamente a equipa leonina, que à 6ª jornada trocou Sá Pinto por Vercauteren, se bem que o belga só assumiu a equipa dois jogos depois, ficando Oceano a liderar nessa fase. Na sétima jornada o Nacional seguiu o exemplo dos leões e à 14ª Olhanense e Sporting, novamente, voltaram a mudar de técnico. No caso da equipa algarvia a insatisfação não veio da direcção mas sim do treinador, Sérgio Conceição. Jorge Casquilha do Moreirense foi o técnico que se seguiu após o primeiro jogo da segunda volta, sucedendo o mesmo na 20ª jornada com Ulisses Morais no Beira-Mar e na 26ª com Pedro Emanuel na Académica, onde nessa jornada se estreará pelos estudantes o ex-Olhanense Sérgio Conceição. Das sete alterações três pioraram os resultados, enquanto as restantes quatro melhoraram a produção da equipa.
Sporting
O clube que primeiro mexeu no comando técnico e que mais alterações fez, ao todo já quatro treinadores lideraram a equipa. Do quarteto escolhido, apenas Jesualdo Ferreira conseguiu ter uma taxa de eficácia superior a 50%, o que demonstra a fatídica temporada que os leões estão a passar. Tudo começou com o despedimento de Sá Pinto, tinha uma média de pontos por jogo de 1.2, e o seu substituto, Frank Vercauteren, não conseguiu melhorar essa fasquia, acabando mesmo por descê-la, tendo feito uma média de 0.8 pontos por jogo. No período de transição entre estes dois técnicos, Oceano também não tinha feito melhor nos dois que orientou, aliás fez pior ainda com uma média de 0.5. A época estava perdida mas havia que melhorar a performance da equipa, e foi com esse objectivo que Jesualdo Ferreira assumiu o comando técnico. As melhorias foram evidentes, com o professor na liderança a média de pontos por jogo é de 1.8, efeitos de ter ganho metade (6) dos jogos que disputou (12). Também a produção ofensiva melhorou, tendo o melhor registo médio de golos marcados que se situa em 1.5, enquanto defensivamente teve um desempenho médio de 1.3 golos por partida, resultado pior que os alcançados por Sá Pinto (1.0) e Oceano (1.0), e melhor que Vercauteren (1.5). O actual treinador, até ao momento, é o único com um goal average positivo. Não foi à primeira, mas à segunda os resultados melhoraram.
Nacional
Rui Alves não esperou muito para recorrer a um técnico, que tão bons resultados tinha efectuado na equipa alvi-negra em épocas anteriores, de seu nome Manuel Machado. A paciência com Pedro Caixinha esgotou-se à 6ª jornada e na sétima o treinador fundador do “machadês” já liderava a equipa. Uma aposta que voltou a dar frutos, a equipa melhorou de produção, passou de 0.8 pontos por jogo para 1.4. Mas as melhoria não foram só a nível pontual, a equipa melhorou também no capítulo ofensivo, estando a marcar 1.5 golos de média contra os anteriores 1.3, e no defensivo tem estado a sofrer 1.6 golos por jogo em detrimento dos 2.2 anteriores. Melhorias a todos os níveis que demonstram que a substituição foi uma medida acertada, sendo que o profundo conhecimento que Manuel Machado tem do clube, também terá ajudado à readaptação.
Olhanense
O único clube onde descontentamento não veio de quem dirige mas de quem treina. Sérgio Conceição não gostou da forma como a época estava a decorrer e bateu com a porta. Uma saída que não foi nada benéfica para a equipa, os desempenhos colectivos baixaram com Manuel Cajuda. A equipa reduziu quase em metade o número de pontos que fazia por jogo, passou de 1.1 para 0.6. Aliás a única melhoria que o experiente treinador algarvio conseguiu incutir na equipa foi a nível defensivo, passaram a sofrer 1.4 golos por partida enquanto anteriormente sofriam 2.3. Um desempenho positivo que é ofuscado pela diminuição da capacidade ofensiva, onde passou de 2.2 para 0.7.
Moreirense
Uma das chicotadas que mais efeito teve, neste momento, com mais um jogo disputado que Jorge Casquilha, Augusto Inácio já dobrou os pontos do seu antecessor, fez 14 contra os sete que a equipa tinha quando entrou. O único senão nesta troca foi que a equipa aumentou 0.9 a média de golos sofridos, de 1.4 passou para 2.3, mas em contrapartida a média de golos marcados subiu 1.5, passando de 0.7 para 2.2. Depois de vários anos ausente do futebol nacional, Inácio entrou com a corda toda, conseguindo reanimar uma equipa moribunda.
Beira-Mar
Uma jogada de risco da direcção do Beira-Mar, prescindiu dos serviços de Ulisses Morais, que estava a fazer uma época dentro daquilo que era expectável, a luta pela manutenção, substituindo-o pelo rookie Costinha. Uma aposta que, para já, não se revelou acertada, apesar do bom desempenho em algumas partidas dos aveirenses. Os resultados apresentados pelo estreante Costinha são em muito inferiores aos de Ulisses Morais, a equipa tinha uma média de 0.8 pontos por jogo e passou para 0.3, uma redução em mais de metade daquilo que alcançava. Aliás, desde que mudou de liderança técnica, em seis jogos, o Beira-Mar ainda não venceu nenhum jogo.
Académica
O último clube a trocar de treinador. Uma troca arriscada a apenas cinco jornadas do fim, que não dará muito tempo a Sérgio Conceição para aplicar os seus métodos. Uma transição que visa, essencialmente, dar uma injecção de confiança a uma equipa que está há nove jogos sem vencer e que na segunda volta em 10 jogos apenas venceu um e empatou dois. Tarefa difícil para o ex-técnico do Olhanense, que terá de ter nestas últimas cinco jornadas um desempenho semelhante ao que teve no Algarve.
Pedro Santos Pereira
