FC Porto não desarma em Setúbal
24/01/2013 11:54Os dragões conseguiram ontem a sua vitória mais expressiva fora de casa. De qualquer forma não foi um jogo fácil, os portistas dominaram a partida quase por completo, mas só conseguiram resolver o jogo a 5 minutos do fim, quando o inevitável Jackson Martinez fez o 2-0. Um encontro que, da maneira como estava a decorrer a 2ª parte, chegou a lembrar a partida de Vila do Conde, onde de um momento para o outro numa 2ª parte morna e sem oportunidades surgiram dois golos de rajada do Rio Ave. O FC Porto parecia estar a jeito para que acontecesse o mesmo, dominava mas não criava oportunidades e 1-0 é um resultado que dá esperança contínua a quem está a perder, mesmo que o jogo não lhes esteja a correr de feição, porque num segundo tudo muda. O espectro pairava em função das hipóteses e não do que realmente se estava a passar. Entretanto surgem as duas expulsões para os homens do Sado e aí a partida ficou sentenciada, aproveitando os portistas para fazer mais dois golos, tornando a deslocação a Setúbal como a sua vitória mais expressiva fora de casa, não necessariamente a mais fácil. Vitor Pereira continua a ter alguma dificuldade em motivar a equipa nestes jogos. O plano estratégico de jogo está lá, as ideias são boas e profícuas, mas a partir do momento em que os dragões se apanham em vantagem surge uma apatia colectiva. Parece-me ser esta a grande diferença entre Benfica e FC Porto fora de casa, os encarnados nunca abrandam e os azuis quando se apanham a ganhar baixam a intensidade e passam a controlar, mas para se controlar é preciso ter uma margem maior, porque o inesperado não se domina. Voltando a este jogo, vou destacar Jackson Martinez, continuo sem perceber como é que só aos 26 anos este jogador chega à Europa, que fez mais um jogo de grande nível, ele que em 15 partidas para a Liga marcou em 12, uma regularidade impressionante. Mas é muito mais do que marcar, é recepção, é controlo e cobertura de bola, é progressão com bola, é jogo aéreo, é pé direito, é pé esquerdo e é a segurança que quando a bola entra nele, na esmagadora maioria das vezes, o jogo continua pois dá sequência ao trabalho de equipa. Além disso ainda tem toques artísticos que demonstram toda a sua técnica, o golo ao Sporting é apenas um desses momentos. Um jogador que vai ser difícil de segurar. Quanto ao Vitória de Setúbal, José Mota manteve o 4x3x3 de onde sobressaíam os alas rápidos. Pedro Santos e Jorginho tentaram sempre esticar o jogo, e por momentos em alguns períodos da 1ª parte conseguiram-no, sendo eles os principais responsáveis pelo (pouco) perigo sadino. O meio campo bateu-se de igual para igual com o homólogo portista, mas a defesa permitiu alguns espaços e só por ineficácia portista o jogo não se resolveu mais cedo. Boa atitude de uma equipa que precisa de pontos, mas que nunca se encolheu.
