Jesus quebra enguiço
27/01/2013 03:02Finalmente Jorge Jesus conseguiu vencer em Braga com o Benfica. Grande jogo de futebol, teve golos, teve oportunidades, teve espectáculo, teve estratégia, teve surpresas e teve público. Num jogo onde tacticamente se procurou surpreender, o Benfica fê-lo logo de início e, como consequência dessa astúcia, levou os três pontos. Sem Cardozo JJ apostou em Ola John derivando Gaitán para o meio, assim deixou de jogar com dois avançados passando a usar um médio criativo e dois extremos a apoiarem o avançado (Lima). Em consequência desta alteração perdeu uma das referências na área, mas ganhou velocidade em todas as faixas do campo, tornando-se uma equipa muito perigosa sempre que recuperava a bola. Assim fez dois golos e teve mais um par de situações perigosas. O Braga apostou no inverso, uma equipa que queria dominar o meio campo, que pretendia ter posse de bola e estruturalmente preparada para os dois avançados que o Benfica costuma utilizar. Demorou a encontrar-se e Beto ainda dificultou mais essa tarefa, ele que já foi herói diversas vezes desta feita foi vilão, sendo mal batido nos dois golos encarnados. Com o 0-1 o Braga tentou vir para a frente, ainda o conseguiu algumas vezes, mas notava-se que faltava criatividade e velocidade à equipa, sendo o perigo proveniente de jogadas de bola parada. Foi uma luta inglória a travada por Alan, Éder e Mossoró, pois Rúben Amorim e Hugo Viana são médios de apoio que raramente penetram na área. O 0-2 serviu para demonstrar como os bracarenses não tinham bem preparada a transição ataque-defesa, em especial nas subidas de Ismaily, deixando transparecer que o jogo estava decidido. Após o intervalo o Braga e o Benfica vieram sem alterações de jogadores, mas os minhotos arriscavam mais, subiram as linhas de marcação, mostraram maior agressividade na disputa de bola e consequentemente recuperando mais bolas, permitindo assim que se instalassem mais tempo no meio campo do adversário. Os encarnados voltaram para a segunda parte numa postura expectante e decididos a explorar ainda mais o contra-ataque, com o qual criaram perigo um par de vezes. O Braga mexeu na equipa aos 63 minutos e o domínio que já era evidente avolumou-se ainda mais. João pedro veio dar mais velocidade à equipa, entrando no jogo de uma forma decidida e acrescentando qualidade ofensiva à equipa da casa, aliás a sua entrada só peca por tardia. Os minhotos passaram a ter duas setas apontadas à baliza benfiquista, o já referido João Pedro e Ismaily que continuou a subir no terreno, só que agora de uma forma bem mais acertiva que na etapa inaugural. O Benfica respondeu com a entrada de André Almeida, uma tentativa para segurar o meio campo, uma substituição que nos compêndios vem recomendada, só que nos encarnados é contranatura. O Benfica não sabe acalmar o jogo com posse de bola, como disse Villas-Boas em tempos “tem a vertigem da velocidade”, e como tal não resultou, aliás até piorou. E a responsabilidade não é de André Almeida que entrou normal, tem a ver com o ADN da equipa que não se dá bem com este tipo de jogo. De destacar na equipa da casa Éder, Portugal finalmente volta a ter um ponta-de-lança de categoria. Mossoró, não pára estando em constante movimento à procura de linhas de passe e criando uma dinâmica que os seus colegas muitas das vezes não conseguem acompanhar. Alan, a bola quando passa por ele tem outro tratamento e Ismaily na segunda parte, onde arrancou um belíssimo jogo com penetrações constantes criando desequilíbrios. No Benfica destaque para Artur, a diferença de rendimento nas balizas definiu a vitória encarnada, fez duas defesas de elevado grau de dificuldade. Jardel, o tapa buracos do centro da defesa está numa excelente forma, sendo constantemente um pronto-socorro apesar de no golo ficar mal na fotografia, um momento em que tentou tapar o buraco aberto por Melgarejo que deixou fugir o seu homem. Lima, provocou a expulsão de Haas e esteve nos dois golos, o primeiro simulando e o segundo facturando ele mesmo, num mês em que já marcou por oito vezes. Gaitán na primeira parte, fez a equipa jogar e foi o principal responsável pela velocidade imprimida e pelo perigo criado nessa altura, e por fim Sálvio, continua num grande momento de forma que tem sido sublinhado com golos, a forma como imprime velocidade ao jogo é impressionante. Em suma uma vitória difícil do Benfica num jogo em que teve menos oportunidades, menos posse de bola, menos remates e menos cantos.
